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Luiz Filipe Ribeiro Coelho, 51, um dos mais renomados advogados do país e cavaleiro amador, fecha seu primeiro ano frente à presidência da Federação Hípica de Brasília com saldo positivo. Celeiro de diversas gerações de campeões, principalmente na modalidade Salto, Brasília é, sem dúvida, um dos mais importantes polos hípicos do país. 

Luiz Filipe, que recém emprestou toda a sua experiência à Confederação Brasileira de Hipismo (CBH) atuando como presidente da mesa da Assembléia em 21/11 do Rio de Janeiro que definiu o Calendário de Salto 2011, destacou a importância do consenso em prol do esporte. "Logo percebi que todos estavam de acordo em que, mais do que o interesse puramente regional, estava em cheque o interesse de todo o hipismo brasileiro", avaliou o dirigente e apaixonado "horseman". 

Luiz Filipe Coelho, titular do escritório Ribeiro Coelho Advogados, completa um ano frente à presidência da Federação Hípica de Brasília; foto/cedida

Entre 23 e 25 de setembro de 2011, a Sociedade Hípica de Brasília recebe o Campeonato Brasileiro de Amadores. "Acredito que nada se compare a um Brasileiro de Amadores, sob a perspectiva do encontro social e da movimentação da indústria do hipismo. A exemplo de 2009, na gestão de Ronaldo Bittencourt frente à Federação de Brasília, vamos fazer um evento de primeira grandeza que deve contar também com um Leilão de Cavalos Brasileiro de Hipismo", adianta Luiz Filipe.

Confira seguir, a íntegra da entrevista com o dirigente.   
 
Como começou o seu envolvimento com esporte?

Luiz Filipe Ribeiro Coelho. Eu me recordo de ver um cavalo pela primeira vez no Brasília Country Clube.
É um clube muito antigo, lembra um pouco o Clube Hípico de Santo Amaro em São Paulo. Muito verde e espaço para exterior. Fui com meus pais passear e por mero acaso vi uma égua malhada, enorme, chamada Jowanka. Isso foi mais ou menos em 71. Fiquei muito empolgado. Logo depois ingressei na Hípica, um outro clube de Brasília. Não é que a Jowanka estava lá? Mas aí me decepcionei um pouquinho, porque, ao contrário da minha primeira impressão, ela era muito pequenina.

Quando o senhor começou e onde monta atualmente?

Luiz Filipe. Comecei nessa época, com meus 6 irmãos. Uma das minhas irmãs, contemporânea da Cláudia Itajahy, e muito amiga da Andrea Mendes, esposa do Vitor Teixeira, foi campeã brasileira de mirim. Mas, na verdade, embora sempre gostasse dos cavalos, fiquei um bom tempo afastado, de 77 a 90. Faculdade, casamento.

Depois de uma certa estabilidade, voltei em 91. Mas não voltei para o salto. Como tinha um grande amigo, Carlos Robichez Pena, apaixonado por cavalo árabe, acabei comprando alguns e depois alguns lusitanos. Mas sentia a falta da competição de salto. Como eu monto em casa, percebi que se não estabelecesse  algum desafio eu acabaria desmotivado. Vendi então esses  animais de passeio e comprei imediatamente alguns cavalos Brasileiros de Hipismo. Retornei modestamente em 1,00 metro e fui ganhando confiança. Estou saltando 1,20 metro. Faço as duas categorias: Amador e Master.

Luiz Filipe Coelho na pista de Salto: uma de sua grandes paixões; foto/ cedida 

O senhor está a frente de um dos mais renomados escritórios de advocacia - Ribeiro Coelho Advogados - do país e esse ano assumiu a presidência da Federação Hípica de Brasília. O que o levou a se candidatar? Já atuou como dirigente em outra entidade esportiva?

Luiz Filipe.  Meu pai foi presidente da Sociedade Hípica de Brasília. Eu fui vice-presidente. Sempre procurei ter alguma participação em entidades ou associações. Acho importante. Gosto de me envolver. Já fui até síndico de prédio. Gosto de fazer muitas coisas ao mesmo tempo. Fui presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, seção do Distrito Federal, certamente uma das mais destacadas do país. Tive algum envolvimento com atividades partidárias. Sou subprocurador-geral do Distrito Federal. Dei aula de processo civil em duas universidades.

Tudo isso ao mesmo tempo. Sempre deu tempo de fazer tudo. Vejo pessoas com muito mais responsabilidades e que conseguem dar conta do recado. Mesmo com um escritório movimentado, dá para fazer tudo. Não sei, mas acredito que o segredo seja a disciplina e jamais deixar algo para amanhã. Já participei do Conselho da Federação de Tênis, também. O que me levou a me candidatar? Isso foi coisa do Grilo, do Ronaldinho, do Almir, do Paulão, do Coronel Cirilo e do Coronel Marcon e outros amigos. Não pensava não. Mas aceitei e estou achando interessante. Mas devo dizer que tenho uma ajuda especial do Moisés e da Carla, que estão sempre presentes. Além deles, existem outros amigos que sempre ajudam quando chamados.   

Brasília sempre foi um celeiro talentos revelando grandes campeões. A ser ver, como está hoje o panorama do hipismo no Brasília - em suas diversas categorias do Salto?

Luiz Filipe. Nós temos escolas muito atuantes e de qualidade. É delas que saem os melhores talentos. E temos muitos deles já confirmados, disputando provas importantes pelo país. Temos conseguido bom número de participações em todas as categorias. Tivemos grandes resultados nos diversos níveis.   Tivemos o Gabriel Gomes campeão no Paraguai. O Gilberto Haraguchi Junior campeão do ranking brasileiro da categoria pré-mirim, além de ter sido bicampeão mini-mirim. Kitaro Baldaia foi campeão brasileiro de jovens cavaleiros top.

O resultado final para Brasília foi muito positivo. Os jovens cavaleiros da cidade conquistaram uma medalha de ouro, duas medalhas de prata e uma de bronze, no individual. Por equipes, o mesmo resultado: uma de ouro, duas de prata e uma de bronze. Samanta Tiveron foi campeã no Grand Nacional promovido pelo Clube dos Cavaleiros em Indaiatuba. O Flávio Grillo sagrou-se campeão mini GP no Indoor. Isso são apenas alguns dos resultados de que me lembro agora.

Além do Salto,  quais as outras modalidades sendo praticadascom a chancela da Federação de Brasília na região?

Luiz Filipe. O Enduro tem sido uma grata surpresa. O Heitor Coelho, nosso diretor, é muito criterioso e não mede esforços para realizar provas de bom nível.  Só para ter uma idéia, realizamos uma etapa com provas de 20 km a 160 km. Por ter sido um evento de nível internacional, tivemos participação de amazona africana e Juiz e Veterinário vindos da Argentina. O Fernando Gonçalves Costa já conquistou, pela segunda vez, a primeira colocação do ranking nacional de enduro, categoria 3 estrelas (160 km) e recentemente representou o Brasil no Mundial em Lexington. Agora em dezembro estamos com um enduro FEI 3 estrelas com mais de 130 cavaleiros inscritos. Seguramente o destaque é ainda para o salto, mas não falta apoio à outras modalidades, como o adestramento.

Em 2009 quais foram as principais realizações e eventos hípicos em Brasilia?

Luiz Filipe. Tivemos o Campeonato Brasileiro de Jovens Cavaleiros em julho, na Sociedade Hípica. Belo Campeonato. A Copa JK, muito bem realizada pelo Flávio Grillo, no seu Parque Hípico de Brasília. Local privilegiado. A sempre atuante presença do Coronel Dorneles no seu Nacional do Regimento de Polícia Montada. O Marcos Vargas fez nacionais de expressão no Lago Sul. Provas de enduro sempre muito prestigiadas. Isso sem contar o Ranking de Saltos que conta com etapas sempre muito disputadas. A “chipagem” dos animais foi muito ampla.

Adotamos a prática de sempre termos uma ambulância completa, com UTI, desfibrilador e tudo o que é imprescindível para o caso de haver algum incidente, inclusive médico de plantão durante todas as provas da Federação. Contratamos mais uma funcionária para manter a Federação sempre aberta para atender aos filiados. A Federação não fecha mais se uma das funcionáriast iver que se retirar para o seu descanso de lei. Isso é muito bom porque o filiado vai ser sempre atendido.

Renovamos todos os equipamentos de informática de Federação. Conseguimos com a CBH um atualíssimo placar eletrônico. Trouxemos profissionais para dar aulas para a formação de juízes e comisários. Agora, o que me parece de maior valor é o fato de a Federação não ser a dona da verdade. Todas as sugestões que nos chegam são avaliadas e tudo pode mudar se as novas idéias forem melhores do que as que estão sendo praticadas.

O Campeonato Brasileiro de Amadores 2011 terá sede em Brasília. Já pode adiantar alguma coisa referente ao evento?

Luiz Filipe. Vamos tentar repetir o Brasileiro de Amadores que o Ronaldo Bittencourt, meu antecessor, fez em 2009. Foi irrepreensível. Todos que aqui estiveram destacaram a grandeza do evento. Vamos reunir todos os colaboradores, que são os mesmos e estão sempre conosco, para fazer uma grande festa. Carla, Moisés, Consuelo, Guilherme Cunha Costa e vários parceiros já estão iniciando os preparativos. Todos querem colaborar e isso é muito bom. Estamos pensando em fazer um grande leilão para ampliar a nossa plataforma de entretenimento, além do que já foi feito em 2009. Já fizemos um primeiro contato com os Haras agora no Brasileiro de Cavalos Novos e a receptividade foi excepcional.

Para a temporada 2011, quais são os outros principais eventos em Brasilia? A nivel regional e estadual, quais as disputas que se destacam?

Luiz Filipe. Inegavelmente, o principal evento será o Brasileiro de Amadores. Esse evento agrupa familiares e profissionais do hipismo. Acredito que nada se compare a um Brasileiro de Amadores, sob a perspectiva do encontro social e da movimentação da indústria do hipismo. Os amadores são grandes compradores de animais e o comércio nesse período costuma ser movimentado. Esperamos repetir os nacionais que já vínhamos realizando e introduzir outros eventos que alguns proprietários de “maneges” tem procurado realizar. O evento que o Abdalla fez em sua residência esse ano foi um grande sucesso. 

Quais as prioridades e metas para o próximo ano?

Luiz Filipe. O meu primeiro ano na Federação foi um ano de aprendizado. Não tinha idéia se nossos recursos poderiam suportar as demandas do esporte. Houve uma contenção grande, embora ampliássemos gastos em áreas que considero prioritárias, como a segurança dos cavaleiros, com a contratação de profissionais médicos e ambulância necessários a um atendimento rápido e eficaz em caso de algum incidente. Aumentamos os honorários dos profissionais que atuam junto à Federação. Nossos “course designers” são reconhecidos e merecem retribuição compatível com as pagas nos grandes centros. Para o próximo ano, pretendemos melhorar a premiação de nossas
provas. Já no encerramento dessa temporada de 2010 vamos divulgar os prêmios para 2011, que incluem inclusive algumas motocicletas.

Pela proximidade geográfica no centro oeste, quais as outras federações estaduais que mais competem no Distrito Federal? 

Luiz Filipe. Temos uma maior proximidade com a Federação de Goiás. O Presidente Gustavo Melo é sempre um grande parceiro. A amazona Juliana Nehme, por exemplo, multi-premiada em todo o Brasil, é de Goiás e está sempre em Brasília. Seus cavalos, a propósito, ficam sob a responsabilidade do José Cabral Neto, outro profissional brasiliense reconhecido por suas conquistas pessoais e pelas conquistas de seus inúmeros alunos.

Na Assembléia da CBH em novembro no Rio de Janeiro, o senhor teve uma exímia atuação na presidência da mesa. Qual foi a sua avaliação do encontro de dirigentes das federações?

Luiz Filipe. Sempre soube que a Assembléia destinada a elaborar o Calendário Brasileiro de saltos era uma assembléia complexa. Cada Federação buscando levar o melhor campeonato para a sua região. É natural. Mas logo percebi que todos estavam de acordo em que, mais do que o interesse puramente regional, estava em cheque o interesse de todo o hipismo brasileiro. Identificamos algumas premissas que induzem a que o cavaleiro se incline em participar de uma competição.

Luiz Filipe Coelho, durante a Assembléia da CBH no Rio de Janeiro, onde atuou como presidente da mesa; foto: CBH

Entre as diversas premissas ventiladas, verificou-se, por exemplo, que os cavaleiros desejam levar seus animais para competições que, ao tempo em que representam prestígio técnico, não submetam seus animais a um deslocamento extenuante. Seguindo esses e outros critérios, estabelecemos um calendário que recebeu o apoio quase unânime de todas as Federações.  

A seu ver, com toda a experiência profissional e também como cavaleiro, quais os fatores que o hipismo brasileiro deve priorizar para crescimento interno?

Luiz Filipe. Buscar o apoio da mídia me parece fundamental. Numa das aulas que tive com o Pedro Cordeiro (ex-cavaleiro e juiz internacional), ele lembrava que a pista de saltos é a reprodução de obstáculos que se viam nas provas de cross: cerca, rio, muro. Ora, por que fizeram a pista de salto? Foi uma idéia de marketing, ainda que provavelmente sem apelo comercial.  Reunir todos aqueles elementos do cross em um único espaço permitiria a reunião de várias pessoas. O cross não agrupava muita gente porque seus obstáculos eram distribuídos ao longo de um extenso percurso.  E não havia televisão para filmar todo o trajeto. O que se via era muito pouco. O que se buscava então com a concentração de vários obstáculos numa pista? Público. 

Essa mudança já foi uma reflexão dos organizadores de que o esporte para sobreviver precisa de público. Vejam que não se trata, exatamente, de popularizar a prática do esporte. Se trata de popularizar a paixão pelo esporte. O esporte sempre vai ser caro e quanto maior for o nível da competição, maior será o seu custo. É assim, por exemplo, na Fórmula 1. Você não precisa ser um praticante para ser um apaixonado. Se conseguirmos mais espaço na televisão, conseguiremos mais patrocinadores. Essa é a roda da fortuna. Não descarto mesmo a hipótese de haver a compra de espaços em TVs fechadas ou programas esportivos. Ao ser iniciado o processo, acredito que os patrocinadores vão aparecer.

 
Fonte: Entrevista concedida à CBH - Carola May

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