Adestramento

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Vanessa Quintiliano

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Histórico do Adestramento por Coronel Salim Nigri*


A modalidade

O Adestramento ou Dressage, como é conhecido internacionalmente, é uma modalidade Olímpica do Hipismo e, dentre todas as manifestações esportivas da equitação, constitui o segmento mais clássico. Os seus princípios básicos são os pilares da Equitação Acadêmica e adotados por todas as demais disciplinas.          

Essencialmente técnica, busca o desenvolvimento do cavalo, através de uma educação harmoniosa de modo a torná-lo um “atleta feliz”. Portanto, na própria conceituação pode-se depreender que a modalidade impõe uma cuidadosa ginástica progressiva e racional, associada a uma preparação mental do cavalo, de maneira que nas competições, o animal deve mostrar-se calmo, elástico, descontraído e flexível. Durante toda a apresentação deve passar ao espectador a imagem de um cavalo confiante, atento e impulsionado, demonstrando um perfeito entendimento com o seu cavaleiro.

Jorge Ferreira da Rocha com Lanciano nos Jogos Olímpicos Sydney 2000

No Adestramento, o CAVALO não é um instrumento ou objeto e, sim SUJEITO e, para ele todas as atenções devem convergir.

As provas são disputadas nos diversos níveis de dificuldades e de categorias, grupadas em faixas etárias. Podem ser realizadas a céu aberto ou em pistas fechadas, em um cercado de 20x60m, em piso de areia. Os competidores devem executar, de memória, movimentos perfeitamente definidos pelo Regulamento de Adestramento, numa sequência pré-estabelecida (reprise), nas três andaduras naturais (passo, trote e galope).
 
A alta qualidade da apresentação é constatada pela franqueza e regularidade das andaduras, pela leveza e facilidade dos movimentos. O cavalo dá a impressão de realizar os movimentos por sua própria vontade e responde de forma imediata e, até intuitiva, às solicitações do cavaleiro.

O grau de exatidão e correção na execução da prova é avaliado por três ou cinco juízes, distribuídos ao longo do cercado que delimita o picadeiro. Os árbitros julgam os movimentos dos concorrentes, atribuindo graus de 0 a 10, sendo vencedor, aquele que obtiver o maior percentual, resultante do somatório de todos os graus atribuídos pelos juízes.

Rogério da Silva Clementino com Nilo VO nos Jogos Pan-americanos Rio 2007


Histórico

O Adestramento remonta a mais longínqua antiguidade, dos mongóis aos árabes, passando pelos egípcios e persas.
 
Com a queda do império grego, houve um grande declínio na arte de montar. Desse período, restou apenas o tratado escrito pelo Gen Xenofontes (430-354 AC) e, considerado a obra literária mais antiga sobre a equitação. Esse tratado teve uma imensa relevância na evolução histórica do Adestramento.
 
O século XVI, quando os cavaleiros exibiam as suas habilidades digladiando-se com uma equitação voltada para a guerra, as artes e as ciências passaram por uma grande transformação, a Renascença Italiana. A arte eqüestre beneficiou-se, extremamente, com a criação de famosas academias e renomados mestres. Foi um marco na história da equitação, inaugurando-se assim uma nova era. A obra de Xenofontes foi fundamental na preservação dos princípios e da cultura equestre, servindo de base para a renovação gerada pela Renascença.

La Guériniére, autor de "Escola da Cavalaria" 1733

Os séculos XVIII e XIX foram pródigos para a disciplina que fundamentou princípios, conceitos e doutrinas e, viu florescer as grandes escolas que proliferaram por toda a Europa, construindo os alicerces para a edificação da equitação atual. Escolas como Versalhes, Espanhola de Viena, Saumur, entre tantas, propagavam os seus conhecimentos e estudos da Arte Equestre. Nomes como Pluvinel, Newcastle, d’Abzac, L’Hotte, Baucher, La Guérinière, Weyrother, dentre tantos outros, destacaram-se como grandes mestres. As diversas tendências lideradas por esses célebres equitadores provocaram discussões infindáveis e esse choque de idéias, doutrinas e métodos proporcionaram um legado cultural, de valor inestimável, para as futuras gerações.

Trajetória Institucional

Coube à Federação Eqüestre Internacional (FEI), instituída em 1921 a incumbência de preservar a Arte Eqüestre, mantendo a pureza de seus princípios para transmiti-los intactos às futuras gerações. Embora o Adestramento tivesse participado pela primeira vez, nas Olimpíadas de Estocolmo (SUE), em 1912, foi em 1936, nos Jogos Olímpicos de Berlim (ALE), graças a feliz influência da FEI, que foram estabelecidos os parâmetros de julgamento, confrontando equipes internacionais de estilo e tendências diferentes.

Os resultados dos Jogos Olímpicos, realizados de 4 em 4 anos, nos anos bissextos , foram altamente positivos e duradouros , emergindo dessas disputas doutrinárias e de métodos de treinamento o desenvolvimento da arte, que cada vez mais se aproxima, em essência, da perfeição dos movimentos.

O Adestramento no Brasil recebeu um grande impulso com a vinda da Missão Militar Francesa, que aqui chegou aos idos de 1922, contratada pelo governo brasileiro para transmitir conhecimentos nos diversos campos de atuação do Exército Brasileiro.  Na área da equitação,  a  Missão tinha por objetivo estabelecer regras uniformes para a prática das atividades a cavalo. Oficiais experientes, impregnados da tradição da Cavalaria francesa, transmitiram-nos um legado de conhecimentos, fundamentados em experiências acumuladas ao longo de de mais de dois milênios.Em 1924, formou-se a primeira turma de Instrutores do Núcleo de Adestramento de Equitação, atual Escola de Equitação do Exército. A partir de então, o esporte equestre, recebeu, em toda a sua plenitude, um grande estímulo e, em especial, o Adestramento, matéria base para as demais modalidades.

Cmt Glória e seus discípulos do Núcleo, hoje Escola de Equitação do Exército - 1923

Com a criação da Confederação Brasileira de Hipismo (CBH), em 1941, o  esporte eqüestre passou a ser normatizado e organizado. As modalidades tiveram uma grande evolução, com a participação relevante e efetiva das Federações Estaduais, em eventos nacionais e internacionais. Considerando a grande extensão territorial e o curto espaço de tempo, acrescidos da adequação cultural do povo e  da criação de eqüinos, podemos concluir que o Hipismo no Brasil, vem passando por um progressivo e rápido desenvolvimento.

Adestramento no Brasil

Com a evolução da cultura equestre no Brasil,  o Adestramento passou a ter uma maior afluência, com o aumento significativo de praticantes. A participação de pessoas dedicadas à modalidade ao longo dos anos foi essencial para que o Adestramento crescesse e atingisse a estatura atual. Essa trajetória crescente e expressiva, está sendo possível graças a confiança que os proprietários, patrocinadores, criadores e entusiastas do esporte depositam na evolução da disciplina.

A equipe brasileira de Adestramento medalha de bronze no Pan RIO 2007

A CBH vem adotando uma política de intercâmbio com a vinda de juízes e  treinadores de países mais desenvolvidos na modalidade, que através de cursos e participações na arbitragem dos eventos, tem propiciado um rápido desenvolvimento de nossos conjuntos a nível competitivo e de alta performance.

No âmbito internacional, por ocasião dos Jogos Pan Americanos de 2007, realizados no Rio de Janeiro, o Brasil conquistou a medalha de bronze, qualificando-se, por via de consequência, para os Jogos Olímpicos de 2008, realizados em Hong Kong. Pela primeira vez na história do Hipismo, o Brasil qualificou uma equipe para participar do evento maior do Adestramento mundial.

Luiza Tavares de Almeida com Samba nos Jogos Olímpicos 2008 em Hong Kong

A nível nacional, o Adestramento tem uma intensa programação que se desenvolve durante o ano desportivo, nos diversos centros onde se pratica a modalidade. Os eventos são coordenados e supervisionados pela CBH e organizados pelas Federações Estaduais e Comissão de Desportos do Exército.

Os Concursos de Adestramento Nacional(CAN) estão organizados em Séries e Categorias. As Séries Elementar, Preliminar, Média I, Média II, Forte I são disputadas pelas Categorias Sênior Amador e Profissional e as Séries Forte II e Especial pelas Categorias Sênior e Sênior Top, respectivamente. As Categorias  Mini-Mirim (8 a 12 anos), Mirim (12 a 14), Junior ((14 a 18), Jovens Cavaleiros(16 a 21) , Pôneis Mini- Mirim e Mirim e Cavalos Novos de 4, 5 e 6 anos são categorias exclusivas e concorrem em separado. Anualmente são programados e organizados os Campeonatos Brasileiros e a Taça Brasil, bem como o Campeonato Brasileiro de Ranking para todas as Séries e categorias. 

* Coronel Salim Nigri é juiz internacional e diretor de adestramento da CBH 

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