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Daniel Pinto, cavaleiro olímpico português com vasta experiência como treinador e na formação de cavalos desde a base até o alto rendimento, é o novo treinador do Time Brasil de Adestramento. Entre 13 e 16/3, Daniel, que vive em Portugal e tem um centro de treinamento na Arruda dos Vinhos, a 20 km de Lisboa, ministrou a 1ª clínica oficial como treinador, na Casa CBH, em Indaiatuba.

Em 13 e 14/3, o treinamento foi voltado a conjuntos que vêm competindo nos Internacionais de Adestramento no Brasil e buscam uma vaga na equipe do Brasil no Odesur – Sul-Americano 2026, na Argentina, e no Campeonato Mundial 2026, na Alemanha. Já nos dias 15 e 16/3, o foco foi o início do projeto de Cavalos Novos da Confederação Brasileira de Hipismo, iniciativa voltada ao desenvolvimento de novos talentos e à formação de cavalos para o alto rendimento.

Ao final, Constantino Scampini, presidente da CBH, e Daniel também formalizaram o contrato no ciclo olímpico Los Angeles 2028. "Todos os cavalos com os quais participei em nível internacional, eu comecei a treinar a partir dos 4 ,5 e 6 anos e levei até esse patamar. Essa é uma maneira que encontrei de ter satisfação e orgulho em minha trajetória", ressaltou o treinador.

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Daniel Pinto e Constantino Scampini oficializando o contrato para o ciclo olímpico Los Angeles 2028

"A equipe são todos os que participam do processo, não somente os quatro ou cinco, são 20. Todos são da equipe e têm que ter o propósito de servir o Brasil."

Em uma entrevista para a CBH, Daniel, 58, revelou um pouco de sua trajetória, sistema de trabalho e expectativas.

Quais os principais pontos da sua trajetória como cavaleiro e treinador?

Daniel Pinto. De 1997 a 1999, estive à frente da equipe italiana de Junior e fomos bronze no Campeonato Europeu. Treinei vários cavaleiros internacionais de Portugal que participaram Campeonatos da Europa, Copas do Mundo, Mundiais e Jogos Olímpicos. Também fui foi treinador de diversos cavaleiros internacionais de outras nações. Competi em sete ou oito Campeonatos Europeus, quatro Mundiais e duas Olimpíadas.

Atualmente, você também está à frente de um projeto de treinamento de cavalos novos em Portugal?

Daniel. Faço parte do projeto de cavalos novos da APSL, da Associação Portuguesa do Cavalo Lusitano. Estamos desenvolvendo um trabalho que é sobretudo para ajudar os criadores que não têm treinadores para os seus cavaleiros.

De certa forma, há um paralelo com o Brasil na criação e formação de cavaleiros?

Daniel. Sim, aqui no Brasil os criadores também investem na formação de seus profissionais. Eu acho que o Brasil, pelo fato de ter Coudelarias com cavalos lusitanos, é um pouco influenciado pelo que se faz em Portugal. Mas há outra realidade completamente diferente da de Portugal. O Brasil tem um grande potencial pelo que observei nestes dias e da última vez que estive aqui, em 2025. Eu gosto muito de lusitanos, mas sobretudo gosto muito de cavalos. Nós vamos olhar para a melhor performance. Temos que ter a ambição para buscar medalhas e objetivos realistas.

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Toda atenção voltada ao desenvolvimento técnico dos conjuntos

Quantas vezes você já esteve no Brasil?

Daniel. Eu já tinha vindo ao Brasil há muitos anos. Tive a oportunidade de conhecer algumas Coudelarias e a felicidade de ser convidado e conhecer os seus projetos. Quando eu vim ao Brasil em 2002, 2003, o Adestramento aqui ainda estava um bocadinho atrasado. Agora já se vê uma evolução. Hoje há um potencial e uma dinâmica maiores, pessoas mais interessadas e vontade de investir. Portanto, há um caminho próspero para o Adestramento brasileiro.

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Ênfase no trabalho base até o alto rendimento

O que você está achando da qualidade dos cavalos do grupo convocado para a clínica, que já compete em Internacionais?

Daniel. Nós temos um bocadinho de tudo. Há cavalos com muita qualidade, mas que ainda não amadureceram e vamos precisar de um pouco mais de tempo para atingir o potencial. Temos vários cavalos já mais adiantados que carecem de alguns ajustes na base e com trabalho e técnica podem se tornar os conjuntos mais importantes. Há outros que não são tão bons, mas precisamos deles, porque a quantidade também faz diferença e é necessário dar a mão também a cavaleiros que têm qualidade.

Portanto, é importante formar mais cavaleiros, de maneira que possam ganhar técnica para, no dia em que tiverem um cavalo bom, já estarem mais adiantados e saberem como interpretar o potencial e começar o trabalho. Penso que esse é um trabalho interessante, mesmo que não seja para resultados imediatos.

Este ano acontecem duas grandes competições internacionais: Campeonato Mundial e o Odesur – Sul-Americano. Fale um pouquinho sobre as suas expectativas.

Daniel. No Odesur, eu sei que o Brasil tem grande tradição de ganhar, portanto, não posso ter menos expectativas. Mas acho que posso contribuir para obter sucesso nesses eventos. Em princípio, o Brasil está bem-posicionado e habituado, tem uma estrutura que conhece bem o Campeonato Odesur. O Brasil já ganhou e eu não posso ter uma ambição menor.

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Paulo Cesar dos Santos, campeão do Odesur 2022, a posto na clínica com nova montaria

Quanto ao Campeonato Mundial, visto o panorama que temos neste momento, o ideal seria conseguirmos efetivamente o mérito de ter uma equipe completa. Esse é um objetivo importante, porque iria construir um pouco a base daquilo que é a imagem que o Brasil tem que criar para um dia termos uma equipe olímpica que diga: “estamos aqui para as medalhas.”

É um trajeto a ser construído, que não vai terminar nestes três anos em que vou treinar a equipe. Claro que o objetivo é termos uma boa equipe nos Jogos Olímpicos, vamos trabalhar para isso. No Mundial precisamos construir uma imagem em que o mundo comece a dizer: o Brasil está se estruturando para ser uma potência no Adestramento. 

Sabemos que o caminho é longo e que há trabalho a fazer. O Brasil tem potencial de, a médio e longo prazo, alcançar um nível de competitividademuito elevado.  
Acredito que Adestramento do Brasil pode ter o sonho de estar entre as 12 melhores equipes do mundo. 

Nesse sentido, a sua contribuição no trabalho de base fortalece muito esse movimento.

Daniel. As pessoas falam da base, mas na maior parte das vezes já querem fazer os movimentos de alto nível. O que eu quero transmitir é aquilo que me foi transmitido a mim como cavaleiro: saber se divertir no trabalho de base. Se os cavaleiros começarem a se divertir no trabalho de base, vamos construir a primeira comunicação. Estamos a ensinar ao cavalo o abecedário para criar palavras e, a partir das palavras, criar frases.

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Atenção a todos os estágios na evolução dos conjuntos

As pessoas pensam: “se eu mostrar um piaffe, mudança de mão ao tempo, eu sou um bom cavaleiro”. Então, encontram a glória. Um cavalo ensinado não é apenas aquele que executa movimentos. É aquele que responde ao que lhe pedimos, no momento certo, com a atitude desejada e, acima de tudo, com prazer em fazê-lo.

O que pode nos dizer sobre a formação de uma equipe?

Daniel. Ser imparcial e objetivo. A equipe são todos os que participam do processo, não somente os quatro ou cinco, são 20. Todos são da equipe e têm que ter o propósito de servir o Brasil. E a única maneira que eles têm de servir o seu país: é a união. Os que estão “atrás” lutam para tirar o lugar dos da frente e os que estão à frente sabem que há concorrência. Portanto, todos são obrigados a trabalhar.

A competição entre eles precisa ser saudável, é preciso haver amizade e respeito. Respeitar as comissões organizadoras e os juízes. Ter ética e trabalho conjunto. Depois da competição, ter humildade e fair play e perceber que há alguns que naquele dia foram melhores do que outros. Esse é o espírito que eles têm que ter: sentir que o propósito é o resultado.

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Reunião entre participantes da clínica com o treinador Daniel e Claudia Mesquita, diretora de Adestramento, em 14/3

O Adestramento é um esporte individual. São equipes individuais (cavalo e cavaleiro). A verdade é que isto não é como o futebol, onde todos correm atrás de uma bola e o objetivo é igual para todos. No Adestramento e no Hipismo, quatro conjuntos têm as suas ambições e depois se juntam para formar uma equipe.

Eu assisti a várias equipes em que o ideal para eles era ser o melhor da equipe. Mas isso não nos serve. O que nos serve é ver se há um que fez 70% e o outro tem que dizer: eu quero fazer 71%, 72%. Mas não é porque ele quer ser melhor, é porque ele quer superar a nota do outro para que a equipe tenha mais pontos. Na sequência vem a competição individual, mas a primeira é a de equipe. No Grande Prêmio é preciso ter união e vamos mostrar ao mundo que há união. E esse espírito é muito forte!

Na Europa, muitas torcidas das equipes vem às competições com as bandeiras. Fazem força para assistir às provas, vão para as tribunas bater palmas, fazer barulho. Esse espírito é importantíssimo. Temos que chegar aos Campeonatos importantes com a união para lotarmos as arquibancadas de verde e amarelo.

Fonte e imagens: CBH

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