No interior de Bragança Paulista, no estado de São Paulo, um grupo de crianças se reúne toda semana ao redor de um cavalo. Elas estão aprendendo não apenas a praticar volteio, mas também a dar um salto rumo a possibilidades que jamais imaginaram. (Confira a tradução completa da reportagem veiculada portal da FEI).
O que começou como uma pequena iniciativa comunitária cresceu e se tornou um poderoso programa de desenvolvimento apoiado pela Confederação Brasileira de Hipismo (CBH), conectando crianças em situação de vulnerabilidade ao universo dos cavalos por meio do Volteio. Com apoio da FEI Solidarity — iniciativa da FEI criada para promover e desenvolver a cultura e o esporte equestre em todo o mundo — o Projeto Social de Volteio oferece novas experiências, oportunidades e a chance de florescer no esporte.
Na verdade, o programa cresceu além do que qualquer um imaginava. O que antes era uma iniciativa de pequena escala se desenvolveu a ponto de seus jovens talentos terem participado de treinamentos com o ex-campeão mundial Lambert Leclezio e o atual campeão europeu Quentin Jabet em clubes, no estado de São Paulo.
Para Maria Luiza Carvalho Giugni, diretora de Volteio da CBH, o projeto é algo profundamente pessoal. Tendo iniciado no volteio aos 10 anos e posteriormente representado o Brasil nos Jogos Equestres Mundiais da FEI, ela agora desempenha um papel de liderança na construção do futuro da modalidade em seu país — e na garantia de que ela seja acessível à próxima geração.

Descobrindo o Volteio
O Projeto Social de Volteio tem origem na Fazenda Educadora, iniciativa comunitária criada para apoiar os filhos dos funcionários da Fazenda São Sebastião. Desenvolvido para oferecer acesso à educação, esporte e desenvolvimento pessoal dentro do próprio ambiente onde vivem, o projeto naturalmente evoluiu para incluir atividades equestres graças à conexão com o renomado Haras Endurance, liderado por Léo Steinbruch, proprietário da Fazenda São Sebastião.
As crianças tiveram suas primeiras experiências montando a cavalo, ganhando gradualmente confiança e habilidade. À medida que seus talentos se desenvolviam, passaram a competir no Enduro. Então surgiu algo novo — uma modalidade equestre que combina atletismo, criatividade e conexão com o cavalo de uma forma completamente diferente. Quando descobriram o Volteio, não houve mais volta.
A visionária fundadora da Fazenda Educadora, Viviane Lessa, levou o programa a outro patamar ao convencer dois dos mais experientes treinadores de Volteio do Brasil, Mário Destro e Jacqueline Modinos, a orientarem os jovens atletas. Depois veio mais um grande avanço, quando Izac Araújo, ex-treinador da seleção brasileira, passou a integrar o projeto.Araújo tornou-se uma inspiração para as crianças e, principalmente, conseguiu atrair o apoio da Confederação Brasileira a partir de 2023.
“A história do Izac é particularmente poderosa”, afirmou Giugni. “Ele é a prova viva do que é possível — um jovem que veio de um projeto social e chegou ao mais alto nível como treinador. Para essas crianças, ele não é apenas um treinador; ele representa uma visão do próprio futuro delas. “O Izac procurou a Confederação Brasileira em busca de apoio — e foi aí que nosso envolvimento realmente começou. A partir dali, com o suporte da FEI Solidarity, conseguimos expandir o programa de maneiras que nenhum de nós havia imaginado originalmente.”

O grupo em treinamento especializado com os astros do volteio Quentin Jabet e Lambert Leclezio
Treinando com campeões
À medida que a parceria com a Confederação se fortalecia, os 10 jovens volteadores e uma lunger passaram não apenas a treinar mais, mas também a conviver com a equipe brasileira e a se beneficiar de conhecimento de nível mundial. Volteadores e treinadores internacionalmente renomados — incluindo Leclezio, Jabet, Rob de Bruin, Agnes Werhahn e Anthony Bro-Petit — passaram um tempo trabalhando com as crianças, compartilhando conhecimento e inspirando confiança.
Maria Clara Cardoso Macedo, lunger do grupo de 15 anos, explica que os benefícios do projeto vão muito além do esporte. Lições de vida são aprendidas o tempo todo, fortalecendo resiliência, comprometimento e caráter.
“Sou muito grata por tudo o que vivi até aqui — incluindo cada momento de tensão segurando a guia como se o mundo dependesse disso”, disse Maria Clara. “Aqui consigo falar sobre meu papel como lunger com confiança, mesmo tendo quase enlouquecido durante um treino na semana passada! É isso que torna tudo tão especial: eu fui, voltei, recomecei e continuei. Estou realmente amando cada etapa dessa jornada.”
Transformando vidas
A Confederação Brasileira pretende apoiar as crianças pelo maior tempo possível — não apenas com treinamento, mas também ajudando na participação em competições, cobrindo custos de viagem, oferecendo inscrições gratuitas para atletas e cavalos e garantindo que barreiras financeiras nunca impeçam seu desenvolvimento. No fim das contas, o maior objetivo do projeto não é conquistar medalhas, mas formar caráter. O programa também oferece apoio social e pedagógico completo às crianças, jovens e famílias, sob coordenação educacional de Natália Leme.
“Se conseguirmos transformar algumas vidas para melhor, o programa já terá sido um sucesso muitas vezes maior”, afirmou Giugni. “O que torna esse projeto tão especial é quem são essas crianças e tudo o que elas superaram. Elas vêm de famílias com recursos muito limitados e, ainda assim, com o apoio do programa — e, fundamentalmente, com a dedicação de suas próprias famílias — uma transformação real se tornou possível.”

Uma oportunidade global
Giugni acredita que o projeto pode servir de modelo para outras iniciativas em todo o mundo. O apoio da FEI Solidarity garante que o esporte equestre possa ajudar a transformar vidas em todos os continentes. “Se você tem um projeto com potencial genuíno para mudar vidas — e comprometimento para levá-lo adiante — a FEI Solidarity é uma parceira extraordinária”, afirmou Giugni. “O apoio financeiro que recebemos foi a base que tornou esse projeto viável e sustentável. Mas o que eles fizeram por nós vai além do apoio financeiro; eles nos deram a oportunidade de tornar algo real. Eu incentivaria qualquer federação com uma visão semelhante a seguir esse caminho.”
Versão original em inglês - acesse aqui.











