Com o ícone olímpico Luiz Felipe de Azevedo, seus filhos Luiz Felipe Filho e Luiz Francisco, Chiquinho, e o neto Luiz Felipe Neto, o Time Brasil escreveu um capítulo único na história do hipismo mundial, com grande repercussão no Brasil e na Europa.
O hipismo é um dos esportes em que a tradição familiar é mesmo inegável, além de ser o único esporte olímpico em que a idade não é fator limitante e homens e mulheres competem em condições de igualdade. Em 7 de junho de 2026, na Copa das Nações – Longines EEF Series Nations Cup Tessaloniki, na Grécia, um feito inédito entrou para a história do hipismo brasileiro e mundial. Pela primeira vez, uma equipe com quatro integrantes formada por três gerações de cavaleiros de uma mesma família competiu em uma Copa das Nações. A repercussão foi grande, não somente no Brasil mas também na Europa e não poderia ser diferente.

A família é de peso e contou com Luiz Felipe de Azevedo, 72, o Felipinho, que integrou as equipes medalha de bronze em Atlanta 1996 e Sidney 2000 e, sem dúvida, é um dos maiores ícones do hipismo mundial, vencedor de inúmeros GPs Internacionais, ouro por equipes no Pan-americano de 1991 em Cuba e recordista em provas de potência. Sem competir há alguns anos, em um fantástico retorno às competições no Circuito Europeu, Felipinho competiu ao lado dos filhos Luiz Felipe de Azevedo Filho, 51, Luiz Francisco de Azevedo, o Chiquinho, 41, e do neto Luiz Felipe de Azevedo Neto, 21. O resultado foi positivo: o Time Brasil fechou na 4ª colocação entre 10 equipes e ainda contou com Elizabeth de Azevedo, esposa de Felipinho, mãe e avó dos demais integrantes, como chefe de equipe. A Itália foi a grande campeã e, coincidentemente, também contou com uma participação em família, o pai Bruno Chimiri, pela primeira vez, ao lado de sua filha Elisa Chimirri.

Com depoimentos especiais, cada um dos membros da família Azevedo falou sobre a participação na Copa das Nações, a importância dos laços familiares no esporte, principais conquistas e objetivos.
Luiz Felipe de Azevedo, Felipinho, começou a competir em 1962, monta há mais de seis décadas e seu currículo e experiência são um legado que permeia a história do hipismo brasileiro e internacional. “Quando comecei a montar não existia a categoria mirim, que viria a ser criada pelo meu pai Audifax Azevedo, meu grande incentivador, dirigente do hipismo carioca e brasileiro. À época saltei a categoria Junior, com 12 anos incompletos com uma autorização especial”, lembra Felipinho, que embora monte diariamente em seu manège em Miguel Pereira, no Rio, parou de competir no Brasil há alguns anos.

“Voltar a saltar na Europa é maravilhoso, às vésperas de completar 73 anos, reencontrar amigos de vários países uns saltando e outros trabalhando como técnicos sem dúvida foram momentos incríveis. Mas incrível mesmo é saltar com meus filhos e meu neto representando o Brasil em uma Copa das Nações, um fato inédito no esporte mundial”, ressalta Felipinho. Falar sobre meus filhos e meu neto é muito gratificante, pois são cavaleiros excepcionais confirmando que nosso método FAPE de praticar equitação está no caminho certo! Sobre o meu neto é a cereja do bolo, que não nega o DNA da família Azevedo.”

Felipinho também falou sobre a inédita participação de sua esposa, como chefe de equipe. “A Beth ter sido a chefe de equipe do Brasil foi mais que merecido pois ela sempre esteve junto a nós nos maus e bons momentos e seria injusto que, no momento de maior importância para a nossa família, ela não participasse efetivamente nesta conquista de proporções mundiais. Todos da nossa família são gratos a esta grande mulher”, ressalta Felipinho, que no momento não tem planos de voltar a competir no Brasil. “Acho que será difícil, depois de tudo que fizemos no esporte, mas apesar da idade ainda penso em coisas maiores. O futuro a Deus pertence e, se pintar um cavalo do nível da minha equitação, enquanto eu respirar para nós nada é impossível”, garante o cavaleiro.

Enquanto isso, em seu Haras em Miguel Pereira, no Rio de Janeiro, Felipinho segue montando. “Monto no haras, não tanto quanto eu gostaria, mas suficiente. Montar para nós não é obrigação mas sim um prazer. Monto todo tipo de raça e adoro meus cavalos de tração! Eu e minha mulher em noite de lua vamos passear de charrete e sempre paramos em um restaurante para jantar.”, finaliza Felipinho.
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Já Luiz Felipe de Azevedo Filho, Felipinho Filho, iniciou sua carreira na Brasil, mas sua trajetória está fortemente ligada ao circuito europeu. “Minha relação com a Europa remonta a muitos anos e a diferentes fases da minha vida. No entanto, é inegável que mais da metade da minha trajetória se desenvolveu em solo europeu. Desde 1999, estabeleci minha residência definitiva na Europa, onde construí grande parte da minha carreira e da minha vida familiar”, destaca Felipinho Filho, casado com amazona top belga Celine Schoonbrodt, mãe de seu filho caçula Felipinho Neto.

“O nosso principal Centro de Treinamento está localizado em Hodeige, na Bélgica. Além da Ecurie FAPE, estamos desenvolvendo um projeto importante em Arezzo, na Itália, que representa mais um passo na expansão das nossas atividades. Trata-se de uma iniciativa ainda em fase de construção, mas que reflete a nossa visão de longo prazo e o desejo de fortalecer ainda mais a nossa presença no cenário equestre europeu”, revela o cavaleiro, que também comentou o privilégio de competir ao lado de seu pai desde muito jovem.
“Tive a oportunidade de dividir alguns dos maiores palcos do hipismo mundial ao lado do meu pai. Juntos, representamos o Brasil em competições como Aachen, Roma, La Baule — onde conquistamos o terceiro lugar em 2000 —, Roterdã, entre tantas outras. Esse privilégio teve continuidade ao lado do meu irmão, Francisco. Tivemos a felicidade de repetir essa experiência em Roma, novamente com um terceiro lugar por equipes, além de outras competições de altíssimo nível, como o CSIO5* de Samorin, em 2018, quando ambos figuramos entre os melhores do Grande Prêmio. Outro marco familiar que muito me orgulha foi a oportunidade de competir ao lado da minha esposa, Céline, e do meu filho, Luiz Felipe Neto, em um mesmo Grande Prêmio”, discorre Felipinho.

“Certamente, as competições que mais me emocionam são aquelas disputadas por equipes. Vestir a casaca verde, cuja identidade foi idealizada pelo meu avô, sempre teve um significado muito especial para mim. Tenho orgulho de ter iniciado essa trajetória muito cedo. Minhas duas primeiras Copas das Nações aconteceram em 1993, quando eu tinha apenas 18 anos, em palcos da magnitude de Aachen e Roma. Desde então, participei de 47 Copas das Nações, representando o Brasil em alguns dos mais importantes concursos do mundo. Entre tantos momentos inesquecíveis, destaca-se a conquista inédita da Copa das Nações de La Baule, em 2018, a primeira vitória do Brasil em um dos concursos mais tradicionais”, lembra o cavaleiro e horseman.
“Minha relação com o esporte é uma verdadeira entrega de vida. Nasci nesse ambiente e sigo aprendendo, evoluindo e me aprofundando a cada dia. A família, de certa forma, está naturalmente inserida nesse contexto, pois compartilhamos a mesma paixão. Sem dúvida, tive no meu pai o maior exemplo e o melhor professor que poderia ter. Foi observando a sua trajetória e convivendo com seus ensinamentos que construí as bases da minha própria história. Desde então, venho procurando trilhar o meu caminho, sempre tentando dar o melhor de mim, não apenas para a minha família, mas também para todos os integrantes da nossa equipe. Afinal, acredito que as conquistas individuais só fazem sentido quando são construídas em conjunto e compartilhadas com aqueles que caminham ao nosso lado.”
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Luiz Francisco de Azevedo, o Chiquinho, retornou ao Brasil em 2025, após uma bem-sucedida temporada de oito anos nos EUA. “Resolvemos passar um período no Brasil, pois, ao todo, já fazia mais de 12 anos que estávamos fora e entendemos que, naquele momento, isso seria viável. Além da grande saudade da família, dos amigos e de tudo o que deixamos para trás, temos dois filhos nascidos nos EUA que nunca haviam vivido no Brasil, e queríamos que eles conhecessem um pouco das nossas raízes”, conta Chiquinho.
“Foi uma experiência muito boa enquanto durou, mas, como nosso objetivo é estar no mais alto nível do esporte, decidimos voltar para a Europa, onde estamos neste momento, já com as malas praticamente prontas para retornar aos EUA e dar início a novos projetos que já estão em andamento”, acrescenta o cavaleiro. “Voltar ao Brasil para morar não está nos nossos planos. No entanto, pretendemos retornar com frequência para desenvolver projetos, realizar clínicas, participar de competições, firmar parcerias e manter nossa conexão com o país”, afirma o cavaleiro, que também falou sobre seu início no hipismo e a importância da família nesse contexto.

“Minha relação com o esporte começou de maneira leve e bem natural. Sempre tive o meu pai e o meu irmão como exemplos do que eu queria para a minha vida. Junto a isso, a competição e o contato com os cavalos são completamente essenciais para mim. Falar da minha família é falar do sentido que guia as nossas vidas. Tive a sorte e o privilégio de nascer em um berço esplêndido do nosso esporte e, por ser o caçula dos filhos, acredito que pude absorver muita coisa de uma maneira mais “mastigada”. Procuro fazer jus ao nome que carregamos com toda determinação e respeito, dando a ele o valor que merece!”

Chiquinho também abordou alguns de seus principais resultados. “No Brasil, conquistei diversos títulos estaduais, além de campeão brasileiro Junior e campeão sul-americano individual e por equipes, também na categoria Junior. “Na categoria Senior, venci alguns dos GPs mais importantes da América do Sul, como o GP Internacional do Clube Hípico de Santo Amaro, o GP Internacional do Indoor na Sociedade Hípica Paulista e o GP Troféu Perpétuo Roberto Marinho, na Sociedade Hípica Brasileira, no Rio de Janeiro. Já na Europa e nos EUA, pude vencer alguns GPs importantes, mas destaco as três vezes em que fiquei em segundo lugar em GPs 5*, sendo uma delas no prestigioso GP Rolex de Wellington, na Flórida.
“Participei de diversas Copas das Nações e destaco duas como alguns dos pontos altos da minha carreira. A primeira foi a Copa das Nações de Roma, em Piazza di Siena, em 2021, na qual, ao lado do meu irmão, conquistamos o terceiro lugar”, lembra Chiquinho, referindo-se ao Time Brasil que também contou com Rodrigo Pessoa e Yuri Mansur. “A segunda foi agora no CSIO de Thessaloniki na Grécia, quando, junto do meu pai, irmão e sobrinho, chegamos em quarto lugar em um feito totalmente inédito na história do esporte”, enfatiza o cavaleiro, que também defendeu o Brasil na Final da Copa do Mundo em ’s-Hertogenbosch, na Holanda, em 2012, integrou o Time Brasil no Mundial de 2018 em Tryon, foi convocado para Londres 2012 e Tóquio 2021, mas de última hora acabou não integrando a equipe.
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Para o jovem talento Luiz Felipe de Azevedo Neto, a Copa das Nações na Grécia também foi um marco muito especial. “Obviamente ter a oportunidade de competir ao lado da minha família tem uma importância muito grande para mim. Sou e sempre serei grato por isso. Essa Copa foi um capitulo muito emocionante e uma realização para todos nós”, destacou Felipinho Neto.

Felipinho zerou a 1ª passagem da Copa das Nações e acabou não concluindo o 2º percurso e, a pedidos, comentou esse desafio de ganhar ou perder. “Então, no mundo dos esportes é muito importante saber lidar com sucesso mas também com a contraperformance. O importante é manter a cabeça fria e analisar o que aconteceu com calma para poder repetir ou para achar uma solução. E, no final das contas, é essa imprevisibilidade que nosso esporte tem de sobra, que faz ele ser tão apaixonante”, explica, sabiamente, o jovem cavaleiro, que não poderia deixar de destacar a importância de família, em sua trajetória.
“Tudo começa com minha família, eu tenho a enorme sorte de ter nascido em uma família abençoada e repleta de talentos. Meu avô que não precisa de introdução, meus pais, meu tio … pessoas para admirar na família não faltam! Além deles, obviamente eu admiro tantas pessoas, e tento aprender com elas. Se for para citar algum outro nome esse nome tem que ser John Withaker”, coloca o caçula do clã Azevedo.

“Em 2022, fui medalha de ouro no Campeonato Europeu de Juniores pela Bélgica, país que representei até o meus 18 anos. Depois, passei a competir pelo Brasil. Me orgulho de já ter representado nosso país em 13 Copas das Nações, incluindo três de nível 5*, ajudando com zeros e sempre lutando. “Esse ano estive na equipe que terminou em 3º lugar na Longines League of Nations em Abu Dhabi, que até o momento em 2026, foi o único pódio do Brasil em Copas 5*. Além disso, tenho diversos resultados em Grande Prêmios de alto nível de 3, 4 e 5 estrelas. Guardo em mente que tudo isso só é possível graças ao trabalho de equipe que temos, principalmente dos meus pais que fazem de tudo por mim. E eu tento retribuir da melhor forma.”
Imprensa CBH com imagens: Helene Palmer Creative, LLN e acervo pessoal